terça-feira, 26 de agosto de 2008

Giannini 12 Cordas "Depois"




Bem, aí está o velho Giannini 12 cordas depois do "pit-stop" na luthieria. A pestana de osso animal foi refeita, os trastes retificados e com nova coroa, no lugar do rastilho de osso foi necessário escavar o cavalete para o encaixe do captador ligado ao pré-amp instalado a pedido do proprietário. O resultado agradou bastante ao Adriano. Até a próxima!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Giannini 12 Cordas "Antes"




Este violão Giannini de 12 cordas, uma verdadeira raridade de uma época em que a Giannini usava madeiras de primeira e acabamento primoroso, chegou na minha oficina bastante desgastado pelo tempo, mas ainda em boas condições. Os principais problemas são o capotraste de osso animal(pestana), o rastilho (filete de osso no cavalete onde a cordas se apóiam) e os trastes muito desgastados e sem coroa (curvatura), que é fundamental para uma boa vibração das cordas. O proprietário deseja instalar um pré-amp, para aprsentações de palco. É legal quando um instrumento assim aparece e me dá a oportunidade de fazer uma restauração completa, o que deixa o instrumento renovado. Em breve postarei fotos do "depois".

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Squier Vermelha.








Recebi esta Squier bastante enferrujada e desregulada. Muitos músicos não seguem os procedimentos mínimos de conservação e limpeza nos seus instrumentos. Isto resulta em timbre ruim, falta de sustain e tocabilidade sofrível. Neste instrumento foi necessário o uso de várias técnicas de remoção de ferrugem nas diferentes partes que têm diferentes funções, como ponte, trastes, pólos dos captadores, etc, para posterior regulagem. Nas fotos, o instrumento já tratado

Baixo "chifre de alce".






Este instrumento chegou na minha oficina com o acabamento envernizado feito de forma muito precária. O proprietário, Walney, queria um acabamento fosco acetinado como no baixo do meu amigo André Rangel. Minha abordagem neste caso, foi desmontar toda a parte elétrica e peças de ajuste e regulagem para deixá-lo pronto para a "operação". Depois de várias demãos de lixa, a madeira ficou em ponto de acabamento. Em seguida, foram aplicados várias demãos dos produtos de acabamento necessários, intercalados com demãos de lixa. Então, o instrumento foi remontado e regulado. O resultado ficou bastante satisfatório e o baixo ganhou vida nova.

Luthieria, uma arte

A maioria das pessoas não liga o nome à atividade. No entanto, não é um fenômeno raro conhecer alguém que pratica a luthieria, ao menos por hobby. Quando se fala em um construtor de instrumentos musicais, logo vem à memória a figura de uma espécie de marceneiro com determinadas habilidades técnicas e artísticas, capaz de produzir uma obra que produz som musical.

Realmente, o luthier é um profissional singular. Tem que possuir conhecimentos técnicos de tecnologia de materiais, acústica, engenharia, química, matemática, habilidades práticas de marcenaria, serralheria, cerâmica, desenho, etc; habilidades artísticas, ao menos básicas, de música, arquitetura, escultura, marchetaria, pintura, etc. e boas doses de paciência, prudência e temperança.

Em suma, não é a toa que a Luthieria alçou, rapidamente na história, um patamar de maestria.

Alguns Luthiers se tornaram celebridades na história, como os Amati, Guarnieri e o mitico Stradivarius, tal a grandeza e elevação atingidas pelo setor, principalmente no período barroco.

Atualmente, os bons luthiers também devem se dedicar, além das artes tradicionais, a estudos de história, teoria estética, teoria artística e - por que não? - de informática, economia e mercado… Como toda atividade artistica, nos dias de hoje, o luthier que quiser ter algum sucesso tem que ser empreendedor. Os que ainda não atingiram um nome internacionalmente conhecido e que desejam, também, promover atividades de pesquisa, ainda que particulares, é fundamental buscar alternativas para se inserir no mercado.

Restauros, reparos, adaptações, invenções, cursos e outras realizações se tornaram rotina para os luthiers, que acabam destinando pouco tempo à artesania de se construir suas próprias peças de arte.

Enfim, este que é um trabalho de engenho e arte sobrevive se nutrindo quase que somente de sua tradição. Faltam músicos de talento? Há pouca oferta de bons instrumentos? É muito fácil comprar objetos baratos e sem qualidade? Há uma decadência do bom gosto e conhecimento do que é belo? Os meio$ são esca$$o$? Talvez uma retroalimentação de todos esses fatores. Porém, o principal é a decadência da compreensão estética, sem dúvida. O resto é conseqüência. Entretanto, é necessario colocar mais lenha nessa mecha que ainda fumega.

Este é o objetivo deste blog: alimentar essa arte e dar um novo alento aos músicos da cidade e região.

Adaptação sobre texto de Fábio Vanini.